quinta-feira, 19 de setembro de 2013

DROGAS LÍCITAS OU ILÍCITAS. QUAL PROVOCA MAIS MORTES?

Por Unknown   Postado As  12:01   Sem Comentários

    


Nos últimos dias, os jornais publicaram os resultados de um relatório de pesquisa da Organização Mundial de Saúde (OMS), segundo o qual, em 2000, o tabaco contribuiu com 4,1% e o álcool com 4% para a carga de doenças, enquanto as drogas ilícitas (ou seja, maconha, cocaína, anfetaminas, crack, etc.) contribuíram com “apenas” 0,8%.
Como muitas vezes ocorre nesses casos, a apresentação jornalística da matéria pode dar margem a interpretações errôneas. Por exemplo, O Globo (edição de 19/03) ostenta em uma chamada na primeira página, a única frase: “Alcoolismo e tabagismo matam mais que drogas ilícitas”. Esta frase, assim solta (e a matéria interna nada faz para mudar esta impressão) pode levar o leitor desavisado a pensar que as drogas ilícitas fazem menos mal do que o álcool e o tabaco. Daí é apenas um pequeno passo para cair no conto da carochinha de que  a legalização seria a solução para o problema das drogas.

    Em primeiro lugar, o relatório da OMS fala de doenças, e não de mortes. Mas vamos admitir que “matam mais” seja sinônimo de “são mais prejudiciais à saúde”. Além disto, o que acontece é que o alcoolismo e o tabagismo “matam mais”, em valor absoluto, que as drogas ilícitas, não por serem mais nocivos, e sim porque são consumidos em muito maior escala. E são mais consumidos, entre outras coisas, exatamente porque são legais. No momento em que legalizarem a cocaína, por exemplo, e o seu consumo atingir a ordem de grandeza dos níveis de consumo do álcool, a cocaína vai matar muito mais do que o álcool.

    Para certificar-se disto, vamos aos dados. Em 2001, a Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD), em parceria com o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, da Escola Paulista de Medicina, publicou os dados do Primeiro Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil. De acordo com este levantamento, no mês anterior à pesquisa, 35,3% das pessoas de 12 a 65 anos consumiram bebidas alcoólicas, enquanto 19,8% dessas mesmas pessoas usaram tabaco e apenas 2,5% usaram alguma droga ilícita (fique bem claro que este número refere-se ao conjunto de todas as drogas ilícitas; se fosse, por exemplo, só para a maconha, que foi a mais usada, esta proporção cairia para 0,6%).

    É preciso tomar cuidado ao comparar estes dados com os dados da OMS, pois estes últimos referem-se a doenças, enquanto os da SENAD referem-se a pessoas; pode haver múltiplas contagens (uma mesma pessoa pode consumir álcool e tabaco simultaneamente, e uma mesma doença pode ser atribuída a estas duas drogas); as populações investigadas não são as mesmas; etc.

    Porém, só para efeito de ilustração, imaginemos uma população de mil doentes brasileiros. Pode-se estimar razoavelmente, pelos dados da SENAD, que 353 deles são consumidores de álcool, 198 de tabaco e 25 de drogas ilícitas. Por outro lado, não é despropositado pensar que, pelos dados da OMS, 41 estejam doentes devido ao álcool, 40 devido ao tabaco e 8 devido às drogas ilícitas. Mas então a “malignidade” do álcool é de 41 em 353 (ou seja, 12%), enquanto a “malignidade” do tabaco é de 40 em 198 (ou seja, 20%), e a “malignidade” das drogas ilícitas é de 8 em 25 (ou seja, 32%).

    Portanto, de acordo com estes dados e com hipóteses razoáveis, quem “mata mais” são as drogas ilícitas, em segundo lugar vem o tabaco e, depois, o álcool.

    Não nos iludamos. As drogas ilícitas são nocivas à saúde. E é por isto que são ilegais e devem continuar a sê-lo.

0 comentários:

Voltar ao topo ↑
© 2013 De cara com as Drogas - Traduzido Por - Template Para Blogspot - Converted by BloggerTheme9
Traduzido Por - Template Para Blogspot. Proudly Powered by Blogger.